quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Um momento único

Final da Copa Toyota Libertadores da América. Clássico paulistano. Palmeiras e Corinthians. Partida de volta no Palestra Itália. Estádio lotado.
Passou o primeiro tempo e o segundo já está em seu término; os torcedores estão tensos, aflitos e mudos. Está tudo tão quieto que parece o momento que sucede o estouro de uma bomba atômica em que não há vida; porém, no estádio, os corações batem em uníssono, tão sincronizados quanto os tambores de uma marcha militar.
Aos quarenta e oito minutos a bola passa pelos pés do atacante palmeirense que num lance de individualismo e estrelismo deixa o zagueiro adversário tonto com um drible excepcional e fica frente a frente com o goleiro.
Os torcedores prendem a respiração, o estádio está sufocado e o momento parece interminável.
O atacante chuta e tudo parece acontecer em câmera lenta, a bola vai passando pelo goleiro seu olhar de desespero é angustiante. A última esperança é que a bola bata na trave, no entanto, o silêncio é quebrado por um som leve de rede balançando, o silêncio retorna, pois ninguém parece acreditar no que acabara de acontecer.
Mas como no exato momento em que uma bomba estoura, toda a tensão é quebrada por uma explosão de sentimentos à flor da pele, e o estádio é tomado por uma fervura humana que pode ser sentida a quilômetros de distância.
Há pessoas berrando, chorando, rindo, alegres, tristes, enraivecidas, extasiadas..., mas todas, sem exceção, sentem; conseguirão guardar para sempre este momento único.

Equilíbrio

Muitas pessoas se comparam com as outras e não enxergam como são. Existem também pessoas que têm olhos somente para si. O correto seria encontrar um meio termo em que o ser humano conseguisse andar por uma corda bamba sem cair para um dos lados, o que aparentemente é impossível, no entanto, não é.
Um dos lados desta corda seria o egoísmo ou a auto-confiança excessiva, pois aqueles que vêem somente sua própria imagem no espelho não se dão conta de que vivem em uma sociedade, que existem outros no mundo. Fazem o que querem, falam o que pensam sem pensar nas conseqüências e nas pessoas que podem magoar e na possibilidade de serem rejeitados e serem mal tratados devido ao seu “umbigoidismo” ( aqueles têm olhos somente para seu umbigo ).
O outro lado da corda seria o sujeito que, quando depara com um espelho enxerga só a imagem dos outros. São aquelas pessoas sem personalidade, que são manipuladas e agem de acordo com o que os outros são e pensam, ou seja, perdem todas as características que tornam alguém diferente e especial.
O ideal seria realmente encontrar esse meio termo, andar por essa corda e não cair, olhar para um espelho e enxergar o mundo, inclusive a nossa imagem. Conseguir se comparar aos outros sem perder nossa personalidade, nossas raízes; é importante se espelhar nos outros, mas isso tem de ser feito com todo cuidado, e assim, absorver o que pode nos tornar uma pessoa melhor, porém, também é importante olhar para o espelho e nos enxergarmos, para sabermos quanto estamos certos e para termos um auto-conhecimento de nossos defeitos e qualidades. A capacidade de encontrarmos esse meio termo é muito difícil, mas não impossível.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Em breve o primeiro de muitos! Ou não!

Pensando num mundo onde tudo é cada vez mais descartável, como pode um blog durar? Pela qualidade do que é escrito? Pela escrita ser uma arte?
Acho que não apenas por isso.
Acredito ser uma tarefa difícil pois é preciso ser bom (e não sei se sou o suficiente) e é preciso acreditar.
Acreditar que ainda existem pessoas que não são capitalistas ao extremo e que não vendem seus princípios. Pessoas que lutam por um bem comum, por uma melhora cultural e intelectual do mundo, do Brasil.
Idealismo? Espero que não.
Como Nietzsche proferiu: "O idealista é incorrigível: se é expulso do seu céu, faz um ideal do seu inferno."
Não sei se sou idealista, mas sei que no céu não estou.