segunda-feira, 1 de junho de 2009
Uma tarde de segunda.
Hoje eu li, escrevi, toquei, cantei, namorei, vi tv, só não joguei bola pois estou com o joelho machucado. Me dou conta que para fazer tudo que eu quero preciso não ter nada para fazer, ou ganhar dinheiro com aquilo que gosto. Mas será que se eu ganhar dinheiro fazendo o que eu gosto, o que eu gosto continuará sendo o que eu gosto??
quinta-feira, 26 de março de 2009
Mãe.

Poema - Cazuza / Eu hoje tive um pesadelo E levantei atento, a tempo Eu acordei com medo E procurei no escuro Alguém com seu carinho E lembrei de um tempo... Porque o passado me traz uma lembrança De um tempo em que era criança E o medo era motivo de choro Desculpa pra um abraço ou um consolo Hoje eu acordei com medo Mas não chorei nem reclamei abrigo Do escuro, eu via um infinito Sem presente, passado ou futuro Senti um abraço forte, já não era medo Era uma coisa sua que ficou em mim (que não tem fim) De repente, a gente vê que perdeu Ou está perdendo alguma coisa Morna e ingênua que vai ficando no caminho Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás
segunda-feira, 2 de março de 2009
Noite Fria
Para apagar a frieza da solidão
Eu quero um amor ardente
Para acalmar o inquieto coração
É preciso uma brasa incandescente
Eu quero ser o fogo que preenche o ar
O ar gelado de uma noite fria
Uma noite escura e sozinha.
Eu quero ser o ar que preenche o fogo
O ar que inflama
As chamas da paixão.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
E você?
Vincent Willem, também conhecido como Van Gogh, de uma maneira peculiar viveu.
Nietzsche disse: "Até os mais corajosos raramente têm a coragem para aquilo que realmente sabem." Acredito que Vincent teve essa coragem pelo fato de ter se retratado da maneira que era. Independente do momento.

Eu nasci
Eu brinquei
Eu andei
Eu corri
Eu nadei
Eu cresci
Eu namorei
Terminei
Eu bebi
Eu fumei
Namorei de novo
Eu traí
Fui traído
Eu fiquei
Analisei o céu a dois
Eu cresci
Eu estudei
Eu trabalhei
Eu casei
Viajei
Magoei
Fui magoado
Me separei
Casei de novo
Bebi
Bebi até cair
Fumei
Vomitei
Eu cresci
Nadei
Corri
Pulei
Dancei
Andei
Adoeci
Me curei
Senti raiva
Senti rancor
Senti a natureza
Eu cresci
Envelheci
Me angustiei
Amei
Explodi em felicidade
Desabei em tristeza
Eu venci
Eu perdi
Perdi pessoas
Ganhei outras
Perdi mais algumas
Perdi o cabelo
Perdi a paciência
Mas ganhei experiência
Eu morri,
Eu vivi.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Drummond.

| Convite TristeMeu amigo, vamos sofrer, vamos beber, vamos ler jornal, vamos dizer que a vida é ruim, meu amigo, vamos sofrer. Vamos fazer um poema ou qualquer outra besteira. Fitar por exemplo uma estrela por muito tempo, muito tempo e dar um suspiro fundo ou qualquer outra besteira. Vamos beber uísque, vamos beber cerveja preta e barata, beber, gritar e morrer, ou, quem sabe? beber apenas. Vamos xingar a mulher, que está envenenando a vida com seus olhos e suas mãos e o corpo que tem dois seios e tem um embigo também. Meu amigo, vamos xingar o corpo e tudo que é dele e que nunca será alma. Meu amigo, vamos cantar, vamos chorar de mansinho e ouvir muita vitrola, depois embriagados vamos beber mais outros sequestros (o olhar obsceno e a mão idiota) depois vomitar e cair e dormir. Carlos Drummond de Andrade, in 'Brejo das Almas' |
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
A vida como ela é.
Esses dias fiquei sabendo que a música "O mundo é um moinho", de sua autoria e que fez grande sucesso na voz do mais poeta que cantor Cazuza, foi feita para a sua filha assim que ele soube que ela entrara para o mundo da prostituição.
Eu sei de um rapaz que aos dezessete anos, descobriu que sua primeira namorada também fazia parte deste mundo. E assim que ele soube, dedicou esta música do cartola para ela, sem saber dessa história.
É engraçada essa relação entre a vida e a arte. Como uma música tantos anos após ser feita ainda não perdeu seu sentido, e um adolescente sem saber, a usa com o mesmo ou quase mesmo propósito que o autor a compôs. Uma estranha coincidência de sentimentos.
Como alguns ditos são clichês mas verdadeiros, por exemplo: A vida imita a arte e a arte imita a vida.

O Mundo é um moinho - Cartola
"Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés"
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Um momento único
Passou o primeiro tempo e o segundo já está em seu término; os torcedores estão tensos, aflitos e mudos. Está tudo tão quieto que parece o momento que sucede o estouro de uma bomba atômica em que não há vida; porém, no estádio, os corações batem em uníssono, tão sincronizados quanto os tambores de uma marcha militar.
Aos quarenta e oito minutos a bola passa pelos pés do atacante palmeirense que num lance de individualismo e estrelismo deixa o zagueiro adversário tonto com um drible excepcional e fica frente a frente com o goleiro.
Os torcedores prendem a respiração, o estádio está sufocado e o momento parece interminável.
O atacante chuta e tudo parece acontecer em câmera lenta, a bola vai passando pelo goleiro seu olhar de desespero é angustiante. A última esperança é que a bola bata na trave, no entanto, o silêncio é quebrado por um som leve de rede balançando, o silêncio retorna, pois ninguém parece acreditar no que acabara de acontecer.
Mas como no exato momento em que uma bomba estoura, toda a tensão é quebrada por uma explosão de sentimentos à flor da pele, e o estádio é tomado por uma fervura humana que pode ser sentida a quilômetros de distância.
Há pessoas berrando, chorando, rindo, alegres, tristes, enraivecidas, extasiadas..., mas todas, sem exceção, sentem; conseguirão guardar para sempre este momento único.
Equilíbrio
Um dos lados desta corda seria o egoísmo ou a auto-confiança excessiva, pois aqueles que vêem somente sua própria imagem no espelho não se dão conta de que vivem em uma sociedade, que existem outros no mundo. Fazem o que querem, falam o que pensam sem pensar nas conseqüências e nas pessoas que podem magoar e na possibilidade de serem rejeitados e serem mal tratados devido ao seu “umbigoidismo” ( aqueles têm olhos somente para seu umbigo ).
O outro lado da corda seria o sujeito que, quando depara com um espelho enxerga só a imagem dos outros. São aquelas pessoas sem personalidade, que são manipuladas e agem de acordo com o que os outros são e pensam, ou seja, perdem todas as características que tornam alguém diferente e especial.
O ideal seria realmente encontrar esse meio termo, andar por essa corda e não cair, olhar para um espelho e enxergar o mundo, inclusive a nossa imagem. Conseguir se comparar aos outros sem perder nossa personalidade, nossas raízes; é importante se espelhar nos outros, mas isso tem de ser feito com todo cuidado, e assim, absorver o que pode nos tornar uma pessoa melhor, porém, também é importante olhar para o espelho e nos enxergarmos, para sabermos quanto estamos certos e para termos um auto-conhecimento de nossos defeitos e qualidades. A capacidade de encontrarmos esse meio termo é muito difícil, mas não impossível.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Em breve o primeiro de muitos! Ou não!
Acho que não apenas por isso.
Acredito ser uma tarefa difícil pois é preciso ser bom (e não sei se sou o suficiente) e é preciso acreditar.
Acreditar que ainda existem pessoas que não são capitalistas ao extremo e que não vendem seus princípios. Pessoas que lutam por um bem comum, por uma melhora cultural e intelectual do mundo, do Brasil.
Idealismo? Espero que não.
Como Nietzsche proferiu: "O idealista é incorrigível: se é expulso do seu céu, faz um ideal do seu inferno."
Não sei se sou idealista, mas sei que no céu não estou.