segunda-feira, 1 de junho de 2009

Uma tarde de segunda.

Estou em casa de moletom em plena segunda feira agora sem hífen. Uma tarde agradável. Estou desempregado e a pouco tempo li "A Metamorfose - de Franz Kafka" e um dos temas do livro é justamente a ligação do homem ao seu trabalho. Na TV Globo está passando "Do que as mulheres gostam", filme em que o ator Mel Gibson após receber um eletrochoque começa a ouvir os pensamentos das mulheres. Eu fui criado praticamente por mulheres. Minha mãe, minha vó e no sexto andar minha madrinha e duas primas. Hoje também há um reboliço por conta de um avião da Air France que saiu do Brasil e desapareceu. Talvez esteja junto com o "padre dos Balões", espero que não.
Hoje eu li, escrevi, toquei, cantei, namorei, vi tv, só não joguei bola pois estou com o joelho machucado. Me dou conta que para fazer tudo que eu quero preciso não ter nada para fazer, ou ganhar dinheiro com aquilo que gosto. Mas será que se eu ganhar dinheiro fazendo o que eu gosto, o que eu gosto continuará sendo o que eu gosto??

quinta-feira, 26 de março de 2009

Mãe.

Apesar de muito amor de ambos, cazuza sempre teve grandes problemas com sua mãe, assim como eu tive com a minha e acredito que muitos têm com as suas. Concordo com Freud quando ele diz que o homem busca em uma mulher a figura materna, pelo menos nos primeiros relacionamentos. Afinal, a primeira mulher que aprendemos a nos relacionar, muitas vezes não tão bem, na maioria das vezes é a nossa mãe, portanto, acabamos nos relacionando com uma mulher que tenha o perfil de nossas mães, pois é o perfil de mulher que sabemos lidar.  
O peso que uma mãe tem na vida de um filho e o peso que um filho tem na vida de uma mãe, mesmo em anos de silêncio, é sentido pelos dois. Acho que ninguém nos conhece tão bem, talvez pelo fato de que quando nascemos elas já se relacionavam conosco 9 meses antes.


Enfim, esse post é uma homenagem ao relacionamento entre mães e filhos.


                      Cazuza e sua mãe, aos 2 anos de idade.




Poema - Cazuza / Eu hoje tive um pesadelo E levantei atento, a tempo  Eu acordei com medo E procurei no escuro  Alguém com seu carinho E lembrei de um tempo...  Porque o passado me traz uma lembrança  De um tempo em que era criança E o medo era motivo de choro  Desculpa pra um abraço ou um consolo   Hoje eu acordei com medo Mas não chorei nem reclamei abrigo Do escuro, eu via um infinito Sem presente, passado ou futuro Senti um abraço forte, já não era medo Era uma coisa sua que ficou em mim (que não tem fim)  De repente, a gente vê que perdeu Ou está perdendo alguma coisa Morna e ingênua que vai ficando no caminho  Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás
 

segunda-feira, 2 de março de 2009

Noite Fria

Para apagar a frieza da solidão

Eu quero um amor ardente

Para acalmar o inquieto coração

É preciso uma brasa incandescente

 

Eu quero ser o fogo que preenche o ar

O ar gelado de uma noite fria

Uma noite escura e sozinha.

 

Eu quero ser o ar que preenche o fogo

O ar que inflama

As chamas da paixão.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

E você?

Vincent Willem, também conhecido como Van Gogh, de uma maneira peculiar viveu. 

Nietzsche disse: "Até os mais corajosos raramente têm a coragem para aquilo que realmente sabem." Acredito que  Vincent teve essa coragem pelo fato de ter se retratado da maneira que era. Independente do momento. 



Eu nasci

Eu brinquei

Eu andei

Eu corri

Eu nadei

Eu cresci

Eu namorei

Terminei

Eu bebi

Eu fumei

Namorei  de novo

Eu traí

Fui  traído

Eu fiquei

Analisei o céu a dois

Eu cresci

Eu estudei

Eu trabalhei

Eu casei

Viajei

Magoei

Fui magoado

Me separei

Casei de novo

Bebi

Bebi até cair

Fumei

Vomitei

Eu cresci

Nadei

Corri

Pulei

Dancei

Andei

Adoeci

Me curei

Senti raiva

Senti rancor

Senti a natureza

Eu cresci

Envelheci

Me angustiei

Amei

Explodi em felicidade

Desabei em tristeza

Eu venci

Eu perdi

Perdi pessoas

Ganhei outras

Perdi mais algumas

Perdi o cabelo

Perdi a paciência

Mas ganhei experiência

Eu morri,

 

Eu  vivi.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Drummond.




Convite Triste

Meu amigo, vamos sofrer,
vamos beber, vamos ler jornal,
vamos dizer que a vida é ruim,
meu amigo, vamos sofrer.

Vamos fazer um poema
ou qualquer outra besteira.
Fitar por exemplo uma estrela
por muito tempo, muito tempo
e dar um suspiro fundo
ou qualquer outra besteira.

Vamos beber uísque, vamos
beber cerveja preta e barata,
beber, gritar e morrer,
ou, quem sabe? beber apenas.

Vamos xingar a mulher,
que está envenenando a vida
com seus olhos e suas mãos
e o corpo que tem dois seios
e tem um embigo também.
Meu amigo, vamos xingar
o corpo e tudo que é dele
e que nunca será alma.

Meu amigo, vamos cantar,
vamos chorar de mansinho
e ouvir muita vitrola,
depois embriagados vamos
beber mais outros sequestros
(o olhar obsceno e a mão idiota)
depois vomitar e cair
e dormir.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Brejo das Almas'

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A vida como ela é.

Cartola, ah Cartola! Um dos meus artistas prediletos!
Esses dias fiquei sabendo que a música "O mundo é um moinho", de sua autoria e que fez grande sucesso na voz do mais poeta que cantor Cazuza, foi feita para a sua filha assim que ele soube que ela entrara para o mundo da prostituição.

Eu sei de um rapaz que aos dezessete anos, descobriu que sua primeira namorada também fazia parte deste mundo. E assim que ele soube, dedicou esta música do cartola para ela, sem saber dessa história.

É engraçada essa relação entre a vida e a arte. Como uma música tantos anos após ser feita ainda não perdeu seu sentido, e um adolescente sem saber, a usa com o mesmo ou quase mesmo propósito que o autor a compôs. Uma estranha coincidência de sentimentos.

Como alguns ditos são clichês mas verdadeiros, por exemplo: A vida imita a arte e a arte imita a vida.


O Mundo é um moinho - Cartola

"Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a  vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és


Ouça-me bem amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó


Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés"


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Passado

Os dois últimos posts foram textos que fiz quando tinha uns 14, 15 anos acho eu.