quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

E você?

Vincent Willem, também conhecido como Van Gogh, de uma maneira peculiar viveu. 

Nietzsche disse: "Até os mais corajosos raramente têm a coragem para aquilo que realmente sabem." Acredito que  Vincent teve essa coragem pelo fato de ter se retratado da maneira que era. Independente do momento. 



Eu nasci

Eu brinquei

Eu andei

Eu corri

Eu nadei

Eu cresci

Eu namorei

Terminei

Eu bebi

Eu fumei

Namorei  de novo

Eu traí

Fui  traído

Eu fiquei

Analisei o céu a dois

Eu cresci

Eu estudei

Eu trabalhei

Eu casei

Viajei

Magoei

Fui magoado

Me separei

Casei de novo

Bebi

Bebi até cair

Fumei

Vomitei

Eu cresci

Nadei

Corri

Pulei

Dancei

Andei

Adoeci

Me curei

Senti raiva

Senti rancor

Senti a natureza

Eu cresci

Envelheci

Me angustiei

Amei

Explodi em felicidade

Desabei em tristeza

Eu venci

Eu perdi

Perdi pessoas

Ganhei outras

Perdi mais algumas

Perdi o cabelo

Perdi a paciência

Mas ganhei experiência

Eu morri,

 

Eu  vivi.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Drummond.




Convite Triste

Meu amigo, vamos sofrer,
vamos beber, vamos ler jornal,
vamos dizer que a vida é ruim,
meu amigo, vamos sofrer.

Vamos fazer um poema
ou qualquer outra besteira.
Fitar por exemplo uma estrela
por muito tempo, muito tempo
e dar um suspiro fundo
ou qualquer outra besteira.

Vamos beber uísque, vamos
beber cerveja preta e barata,
beber, gritar e morrer,
ou, quem sabe? beber apenas.

Vamos xingar a mulher,
que está envenenando a vida
com seus olhos e suas mãos
e o corpo que tem dois seios
e tem um embigo também.
Meu amigo, vamos xingar
o corpo e tudo que é dele
e que nunca será alma.

Meu amigo, vamos cantar,
vamos chorar de mansinho
e ouvir muita vitrola,
depois embriagados vamos
beber mais outros sequestros
(o olhar obsceno e a mão idiota)
depois vomitar e cair
e dormir.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Brejo das Almas'

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A vida como ela é.

Cartola, ah Cartola! Um dos meus artistas prediletos!
Esses dias fiquei sabendo que a música "O mundo é um moinho", de sua autoria e que fez grande sucesso na voz do mais poeta que cantor Cazuza, foi feita para a sua filha assim que ele soube que ela entrara para o mundo da prostituição.

Eu sei de um rapaz que aos dezessete anos, descobriu que sua primeira namorada também fazia parte deste mundo. E assim que ele soube, dedicou esta música do cartola para ela, sem saber dessa história.

É engraçada essa relação entre a vida e a arte. Como uma música tantos anos após ser feita ainda não perdeu seu sentido, e um adolescente sem saber, a usa com o mesmo ou quase mesmo propósito que o autor a compôs. Uma estranha coincidência de sentimentos.

Como alguns ditos são clichês mas verdadeiros, por exemplo: A vida imita a arte e a arte imita a vida.


O Mundo é um moinho - Cartola

"Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a  vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és


Ouça-me bem amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó


Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés"


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Passado

Os dois últimos posts foram textos que fiz quando tinha uns 14, 15 anos acho eu.

Um momento único

Final da Copa Toyota Libertadores da América. Clássico paulistano. Palmeiras e Corinthians. Partida de volta no Palestra Itália. Estádio lotado.
Passou o primeiro tempo e o segundo já está em seu término; os torcedores estão tensos, aflitos e mudos. Está tudo tão quieto que parece o momento que sucede o estouro de uma bomba atômica em que não há vida; porém, no estádio, os corações batem em uníssono, tão sincronizados quanto os tambores de uma marcha militar.
Aos quarenta e oito minutos a bola passa pelos pés do atacante palmeirense que num lance de individualismo e estrelismo deixa o zagueiro adversário tonto com um drible excepcional e fica frente a frente com o goleiro.
Os torcedores prendem a respiração, o estádio está sufocado e o momento parece interminável.
O atacante chuta e tudo parece acontecer em câmera lenta, a bola vai passando pelo goleiro seu olhar de desespero é angustiante. A última esperança é que a bola bata na trave, no entanto, o silêncio é quebrado por um som leve de rede balançando, o silêncio retorna, pois ninguém parece acreditar no que acabara de acontecer.
Mas como no exato momento em que uma bomba estoura, toda a tensão é quebrada por uma explosão de sentimentos à flor da pele, e o estádio é tomado por uma fervura humana que pode ser sentida a quilômetros de distância.
Há pessoas berrando, chorando, rindo, alegres, tristes, enraivecidas, extasiadas..., mas todas, sem exceção, sentem; conseguirão guardar para sempre este momento único.

Equilíbrio

Muitas pessoas se comparam com as outras e não enxergam como são. Existem também pessoas que têm olhos somente para si. O correto seria encontrar um meio termo em que o ser humano conseguisse andar por uma corda bamba sem cair para um dos lados, o que aparentemente é impossível, no entanto, não é.
Um dos lados desta corda seria o egoísmo ou a auto-confiança excessiva, pois aqueles que vêem somente sua própria imagem no espelho não se dão conta de que vivem em uma sociedade, que existem outros no mundo. Fazem o que querem, falam o que pensam sem pensar nas conseqüências e nas pessoas que podem magoar e na possibilidade de serem rejeitados e serem mal tratados devido ao seu “umbigoidismo” ( aqueles têm olhos somente para seu umbigo ).
O outro lado da corda seria o sujeito que, quando depara com um espelho enxerga só a imagem dos outros. São aquelas pessoas sem personalidade, que são manipuladas e agem de acordo com o que os outros são e pensam, ou seja, perdem todas as características que tornam alguém diferente e especial.
O ideal seria realmente encontrar esse meio termo, andar por essa corda e não cair, olhar para um espelho e enxergar o mundo, inclusive a nossa imagem. Conseguir se comparar aos outros sem perder nossa personalidade, nossas raízes; é importante se espelhar nos outros, mas isso tem de ser feito com todo cuidado, e assim, absorver o que pode nos tornar uma pessoa melhor, porém, também é importante olhar para o espelho e nos enxergarmos, para sabermos quanto estamos certos e para termos um auto-conhecimento de nossos defeitos e qualidades. A capacidade de encontrarmos esse meio termo é muito difícil, mas não impossível.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Em breve o primeiro de muitos! Ou não!

Pensando num mundo onde tudo é cada vez mais descartável, como pode um blog durar? Pela qualidade do que é escrito? Pela escrita ser uma arte?
Acho que não apenas por isso.
Acredito ser uma tarefa difícil pois é preciso ser bom (e não sei se sou o suficiente) e é preciso acreditar.
Acreditar que ainda existem pessoas que não são capitalistas ao extremo e que não vendem seus princípios. Pessoas que lutam por um bem comum, por uma melhora cultural e intelectual do mundo, do Brasil.
Idealismo? Espero que não.
Como Nietzsche proferiu: "O idealista é incorrigível: se é expulso do seu céu, faz um ideal do seu inferno."
Não sei se sou idealista, mas sei que no céu não estou.