Final da Copa Toyota Libertadores da América. Clássico paulistano. Palmeiras e Corinthians. Partida de volta no Palestra Itália. Estádio lotado.
Passou o primeiro tempo e o segundo já está em seu término; os torcedores estão tensos, aflitos e mudos. Está tudo tão quieto que parece o momento que sucede o estouro de uma bomba atômica em que não há vida; porém, no estádio, os corações batem em uníssono, tão sincronizados quanto os tambores de uma marcha militar.
Aos quarenta e oito minutos a bola passa pelos pés do atacante palmeirense que num lance de individualismo e estrelismo deixa o zagueiro adversário tonto com um drible excepcional e fica frente a frente com o goleiro.
Os torcedores prendem a respiração, o estádio está sufocado e o momento parece interminável.
O atacante chuta e tudo parece acontecer em câmera lenta, a bola vai passando pelo goleiro seu olhar de desespero é angustiante. A última esperança é que a bola bata na trave, no entanto, o silêncio é quebrado por um som leve de rede balançando, o silêncio retorna, pois ninguém parece acreditar no que acabara de acontecer.
Mas como no exato momento em que uma bomba estoura, toda a tensão é quebrada por uma explosão de sentimentos à flor da pele, e o estádio é tomado por uma fervura humana que pode ser sentida a quilômetros de distância.
Há pessoas berrando, chorando, rindo, alegres, tristes, enraivecidas, extasiadas..., mas todas, sem exceção, sentem; conseguirão guardar para sempre este momento único.
Turista Acidental
Há 14 anos
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